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Pulitzer Center Update July 21, 2025

Fundo Semear apoia projetos de troca de saberes tradicionais e acadêmicos

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People sitting on the ground
Imagen de Rodrigo Morellato.

Através dos projetos Mulheres do Mangue e Rede de Comunicação Comunitária e Agroecologia o Pulitzer Educação reuniu iniciativas que destacam a relação entre Clima e Trabalho em biomas brasileiros. Os projetos uniram comunidades e universidades para discussão em webinários desta temática com webinários e para a produção de produtos de comunicação como podcasts, curtas, e websites.

“A gente partiu de um diagnóstico feito no Congresso Brasileiro de Agroecologia—uma vontade de ter um espaço contínuo de troca, vontade de ter espaço de pesquisa e participação junto a agroecologia”, explicou o Rodrigo Morelato, Professor do Centro de Formação em Artes e Comunicação da Universidade Federal do Sul da Bahia, e coordenador do projeto.

A Rede Comunicação Comunitária e Agroecologia começou como um projeto de extensão do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LECC-UFRJ), com o objetivo de envolver os movimentos sociais engajados em agroecologia para troca de saberes e de estruturar uma rede de pesquisa e ação que inclui  universidades federais de quatro regiões administrativas brasileiras (UFRJ; the Federal University of Goiás, UFG; Federal University of Southern Bahia, UFSB, e UNIFESSPA). E a ação foi concentrada em três biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia, como eventos no Rio de Janeiro, Recife, Goiânia e Santarém, com representantes de um movimento social e de uma universidade local.

Além de webinários e da produção da primeira temporada do podcast “Semeando Agroecologia,” as atividades incluíram o IV Encontro de Experiências em Agricultura e Saúde na Cidade no Rio de Janeiro (RJ), e atividades comunitárias em Santarém, Goiânia e Recife.

Já o projeto Mulheres do Mangue busca divulgar o trabalho das pescadoras artesanais de Pernambuco e suas percepções sobre as mudanças climáticas. O projeto, idealizado dentro da UFPE, já havia sido apoiado pelo Fundo Semear em 2023, e em 2024 expandiu suas atividades para pescadoras que catam siris, e em mais comunidades da região metropolitana.

“Trabalhamos com uma amplitude maior de mídias e possibilidades", conta Janaina Albuquerque, cofundadora da iniciativa na UFPE.” Tivemos os podcasts, entrevistas com etnoespecialistas, e com as pescadoras, trazendo um pouco da perspectiva delas de conhecimento e empoderamento. Para trazer para as pessoas um resgate desse conhecimento que está sendo perdido.”

Durante o projeto, foi produzida a segunda temporada do podcast Etnodelas para mostrar o conhecimento das pescadoras, cine debates e exposição fotográfica com material produzido pelas participantes, além de atividades educacionais e de divulgação científica. Os eventos aconteceram em universidades, comunidades, escolas e até em creches da região.

Conectando comunidades e universidades


Os dois projetos buscaram conectar conhecimentos tradicionais, acadêmicos e jornalismo, e promover trocas entre essas realidades. Para Naielly da Silva, integrante da equipe do Projeto Mulheres do Mangue, essa experiência ajudou a trazer realidade para a vivência acadêmica: “A gente que é da academia, tem esse conhecimento mais teórico. As pescadoras têm a prática tanto das modificações que aquele ecossistema sofreu por causa das mudanças climáticas, como da vivência em si, com as perdas de algumas espécies.”

Yane Mendes, Idealizadora da Rede Tumulto, parceira da Rede Comunicação Comunitária e Agroecologia em Recife, destacou a importância de poder construir as propostas conjuntamente, e de levar o conhecimento acumulado de volta para os territórios. Com apoio do Fundo Semear, a Rede Tumulto realizou cine debates e exposições para as comunidades que produziram os curtas e as fotos, principalmente do Núcleo Correria, que é o grupo de jovens da iniciativa. “A gente conseguiu fazer um cine, mostrar o que é o Núcleo Correria para a comunidade. Os meninos traziam muito isso, essa vontade de mostrar para o pai e para a mãe o que eles faziam.”

Mendes reforça a importância de se dar as ferramentas e apoiar os jovens que querem produzir comunicação comunitária. “Essa escassez de ferramentas faz com que a gente às vezes não tenha uma narrativa de quem é do território. E nessas atividades, a gente sempre vê nos espaços de fala  a vontade dos jovens de produzirem audiovisual e textos.”

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People sitting in chairs
Imagen de Maria Rosa Darrigo.

Matérias do Pulitzer como contexto global

Várias matérias apoiadas pelo Pulitzer foram essenciais para os projetos para trazer vozes de outras comunidades internacionais para as vivências no Brasil. No projeto da Rede Comunitária, a produção jornalística do Pulitzer Center foram usadas como tema geradores para os webinários e cinedebates, como o promovido pelo Coletivo Jovem Tapajônico no Pará.

“O trabalho jornalístico do Pulitzer foi muito significativo. As matérias abordam questões como a conservação das florestas pelos povos originários, que, no entanto, enfrentam a privação de direitos. Os impactos ambientais, incêndios florestais, desigualdade econômica—como a divisão de castas na Índia e o classismo e racismo ambiental em nosso contexto e outros foram temas centrais. Essas matérias enriqueceram nosso entendimento sobre as complexidades que envolvem a conservação ambiental e os direitos dos povos,” enfatizou Elize Mayara Oliveira, comunicadora popular do Coletivo Jovem Tapajônico.

Já no projeto Mulheres do Mangue, Albuquerque explica que os textos jornalísticos foram utilizados para mostrar que outras comunidades enfrentam os mesmos problemas. “A gente gosta muito de fazer comparações entre territórios. Quando a gente entende a nossa dor e entende a dor do outro, conseguimos entender a complexidade do problema. Então quando eu comecei a falar sobre lixo e tinha matérias do Pulitzer que falavam sobre  lixo no oceano, quando eu falei sobre acúmulo de algas em determinadas zonas litorâneas e que eles tinham esse mesmo impacto, conseguimos mostrar para as pessoas que o oceano é de todos, que o mar é todos ou seja, não cuidamos só da nossa casa,  está cuidando da casa de outras pessoas.”

Para saber mais sobre o projeto Mulheres do Mangue e ver os curtas produzidos, acesse: https://pescadoras-enfrentando-injusticas-e-emergencias-climaticas.webnode.page/


Pulitzer Center's Impact Seed Fund (Fundo Semear) Supports Exchange Between Communities and Universities

Through the Impact Seed Fund projects Mangrove Women (Mulheres do Mangue) and the Community Communication and Agroecology Network (Rede de Comunicação Comunitária e Agroecologia), Pulitzer Center initiatives highlight the relationship between climate and work in Brazilian biomes. The projects brought communities and universities together for discussions.

"We started from a diagnosis made at the Brazilian Agroecology Congress—from a desire to have a continuous space for exchange, to have a space for participatory research within agroecology," said Rodrigo Morelato, project coordinator and a professor at the Center for Arts and Communication at the Federal University of Southern Bahia (UFSB).

The Brazilian Agroecology Congress is a significant event in the field of agroecology. It has been held biennially since its inception in 2003.

The Community Communication and Agroecology Network began as an outreach project led by the Laboratory of Studies in Community Communication at the Federal University of Rio de Janeiro (LECC-UFRJ). It aims to connect social movements rooted in agroecology with academic institutions, creating a platform for knowledge exchange and collaborative research.

The project spans four federal universities across Brazil: UFRJ; the Federal University of Goiás, UFG; UFSB; and the Federal University of Southern and Southeastern Pará, UNIFESSPA. Its efforts have been concentrated in three major biomes: the Atlantic forest, the Cerrado, and the Amazon. 

Events held in Rio de Janeiro, Recife, Goiânia, and Santarém brought together grassroots organizations and university representatives to strengthen ties between academia and the field.

In addition to webinars and the production of the first season of the podcast Semeando Agroecologia, the activities included the IV Meeting of Experiences in Agriculture and Health in Rio de Janeiro and community activities in Santarém, Goiânia, and Recife.

The Mangrove Women project seeks to publicize the work of artisanal fisherwomen in Pernambuco and their perceptions of climate change. The project, conceived within the Federal University of Pernambuco (UFPE), had already been supported by ISF in 2023, and in 2024 expanded its activities to fisherwomen who catch crabs, and in more communities in the metropolitan region.

"We worked with a wider range of media and possibilities," says Janaina Albuquerque, co-founder of the project at UFPE. "We had podcasts, interviews with ethno-specialists, and with the fisherwomen, bringing a bit of their perspective of knowledge and empowerment. To rescue this knowledge that is being lost."

During the project, the second season of the podcast Etnodelas was produced to show the knowledge of the fisherwomen. Film debates and a photographic exhibition included material produced by the participants. There were educational and scientific dissemination activities as well. The events took place in universities, communities, schools, and even daycare centers in the region.

Connecting Communities and Universities

Both projects sought to connect traditional, academic knowledge, and journalism, and to promote exchanges between these sectors. 

For Naielly da Silva, a member of the Mangrove Women team, this experience helped bring reality to academic life: "We who are from academia have this more theoretical knowledge. The fisherwomen have the practice of both the changes that the ecosystem suffered because of climate change, with the losses of some species."

Yane Mendes, founder of Rede Tumulto (Tumult Network), partner of the Community Communication and Agroecology Network in Recife, highlighted the importance of being able to build proposals together and of taking the accumulated knowledge back to the territories.

With the support of ISF, Rede Tumulto held film debates and exhibitions for the communities that produced the short films and photos, especially from Núcleo Correria (Correria Space), which is the youth group of the project. 

Mendes reinforces the importance of providing tools to and supporting young people who want to produce community communication. 

"This scarcity of tools means that we sometimes don't have a narrative from those who are from the territory. We always see space in these activities for the desire of young people to produce videos and texts."
 

Pulitzer Articles as Global Context
 

Several articles written with Pulitzer Center support were essential for the projects to bring voices from other international communities. For the Rede Comunitária project, the journalistic work of the Pulitzer Center was used as themes for the webinars and film debates, such as one promoted by Coletivo Jovem Tapajônico (Tapajonic Young Collective) in Pará.

"The journalistic work of the Pulitzer was very significant. The articles address issues such as the conservation of forests by Indigenous peoples, who, however, face the deprivation of rights. Environmental impacts, forest fires, and economic inequality—such as the caste division in India and classism and environmental racism in our context and others—were central themes. These articles enriched our understanding of the complexities involved in environmental conservation and the rights of peoples," emphasized Elize Mayara Oliveira, popular communicator of Coletivo Jovem Tapajônico.

In the Mangrove Women project, Albuquerque explains that the journalistic texts were used to show that other communities face the same problems. 

"We really like to make comparisons between territories. When we understand our pain and understand the pain of the other, we can understand the complexity of the problem. So when I started talking about garbage and there were Pulitzer articles that talked about garbage in the ocean, when I talked about the accumulation of algae in certain coastal areas and that they had the same impact, we managed to show people that the ocean belongs to everyone, that the sea belongs to everyone, that is, we are not only taking care of our house, we are taking care of other people's houses."

To learn more about the Mangrove Women project and see the short films produced, click here.