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Pulitzer Center Update Julho 21, 2025

Documentários aproximam universitários de desafios e conflitos históricos da Amazônia

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The winding Juruá River and the Middle Juruá Extractive Reserve, seen from an airplane, Amazonas, Brazil, October 19, 2019. Image by Bruno Kelly/Thomson Reuters Foundation. Brazil, 2019.
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Surrounded by the Amazon rainforest, some 400 families from the Middle Juruá Extractive Reserve...

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“Amazonia, Amazonias - Stories Told” course
O curso “Amazônia, Amazonas – Histórias Contadas” na Universidade Federal Fluminense (UFF). Imagem de Maria Rosa Darrigo. Brasil.

Parceria do Pulitzer Center com a Universidade Federal Fluminense, a disciplina apresentou filmes que trataram desde casos de trabalho análogo à escravidão até conflitos pela conservação do território e impactos ambientais de grandes obras de infraestrutura


Pelo menos 2.700 km separam a capital do Rio de Janeiro dos primeiros trechos da floresta amazônica. No entanto, para estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), o cinema e os relatos de pessoas que vivem na Amazônia reduziram a distância. Isso foi possível com a disciplina acadêmica “Amazônia, Amazônias – Histórias Contadas”, promovida em parceria com o Pulitzer Center, e que teve como base reportagens e produções audiovisuais sobre a região.

Entre setembro de 2024 e janeiro de 2025, um grupo de 43 alunos dos cursos de Geografia, Ciência Ambiental, Ciências Sociais, Cinema e Relações Internacionais pôde conhecer de forma mais aprofundada a realidade de comunidades indígenas, ribeirinhas e de moradores de áreas na floresta que enfrentam desde situações de trabalho análogo à escravidão até conflitos pela conservação do território e impactos ambientais de grandes obras de infraestrutura, como hidrelétricas e rodovias.

“Usar o cinema como ferramenta para as aulas foi uma fonte muito rica. Além disso, ter palestrantes presencialmente, com a possibilidade de trocar ideias com pessoas que vivem em Estados da Amazônia nos deu uma experiência que não temos por aqui”, avalia Helena Rodrigues do Bomfim, estudante do oitavo período do curso de Ciência Ambiental e uma das participantes.

A disciplina, sob a coordenação do Departamento de Geografia da UFF, foi desenvolvida com o objetivo de apresentar diferentes olhares sobre “as amazônias” a partir de relevantes produções audiovisuais que focam histórias e situações pouco reportadas, porém de extrema importância para incentivar o pensamento crítico frente aos desafios impostos por questões socioambientais e dos territórios. No total, foram 11 palestrantes, entre professores, pesquisadores, cineastas e militantes em defesa dos territórios amazônicos.

“Por meio de iniciativas de educação, buscamos formar redes integradas de conhecimento sobre a Amazônia para auxiliar na criação e alimentação de informação de qualidade a respeito da região. Essa é uma maneira de contribuir para a conservação da floresta e garantir direitos aos seus povos a partir da identificação e reflexão dos principais desafios”, diz a gerente de programas do Pulitzer Center, Maria Rosa Darrigo.

Algumas produções exibidas na disciplina, como os mini-documentários A vida numa reserva extrativista na Floresta Amazônica, dos jornalistas Nádia Pontes e Bruno Kelly;  Pandemia e fake news no Alto Xingu, de Fábio Zuker e Thomaz Pedro; e Mulheres da Floresta, produzido pela TV Cultura, também contaram com a parceria do Pulitzer Center para serem realizadas.

“A parceria com o Pulitzer foi fundamental tanto para viabilizar o acesso aos filmes e documentários como para montar a estrutura do curso e trazer as pessoas da Amazônia. Os alunos com certeza vão levar essa experiência para toda a vida”, conta a professora do Departamento de Análise Geoambiental Raquel Giffoni, que contribuiu com o geógrafo e professor Luiz Jardim Wanderley na condução das aulas.

Para Wanderley, a metodologia – integrando cinema, análise de reportagens e palestras – foi o diferencial. “Os alunos apontaram a metodologia como uma forma interessante de trazer temas contemporâneos e novas visões sobre a Amazônia. Muitos deles sequer conheciam casos da história recente, como o massacre de Carajás e Serra Pelada. Nós, que acompanhamos as questões sociais no Brasil há alguns anos, achamos que todos sabem sobre esses fatos. No entanto, não é assim”, complementa o professor, que coordenou o relatório O Cerco do Ouro. Publicado em 2021, juntamente com a pesquisadora Luísa Molina, o documento analisa o aumento da mineração ilegal na Terra Indígena Munduruku (leia mais).

O episódio que ficou conhecido como “massacre de Carajás” foi tema de uma das aulas – “Conflitos com os povos da Floresta e do Campo Amazônicos” –, ministrada em novembro, quando foram apresentados documentários tratando do 17 de abril de 1996. Nessa data, 21 trabalhadores rurais foram mortos e outras 69 pessoas ficaram feridas em uma ação policial durante protesto pela demora do governo em desapropriar uma fazenda em Eldorado do Carajás, no Estado do Pará.

Já o caso de Serra Pelada, no município de Curionópolis (PA), que nos anos 1980 tornou-se o maior garimpo de ouro a céu aberto do mundo, atraindo milhares de pessoas, foi abordado durante a aula “Ouro na Floresta: passado e presente”, ministrada em dezembro.

Estrutura – A disciplina foi composta de 15 aulas, sendo 12 de atividades com exibição de filmes e mini-documentários seguida de palestras e trocas de experiência. As três últimas foram para avaliação.    

Entre os temas incluídos também estão questões de gênero – debatendo a resistência das mulheres na Amazônia e a violência sobre seus corpos e territórios – e o papel do jornalismo na região, discutindo as ameaças aos profissionais e ativistas, além de como as ferramentas digitais têm sido uma das estratégias de denúncias e resistências pelos povos amazônicos.

“Uma das palestras mais interessantes para mim foi a de jornalismo independente na Amazônia, mostrando a realidade por lá. Há muitas histórias a serem contadas de lá”, completa Bomfim.

A estudante disse que a disciplina já rendeu frutos – inspirada no documentário “Relatos de um Correspondente da Guerra na Amazônia”, ela adaptou o tema do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) para analisar a ação coletiva nas favelas. Pretende estudar jornais independentes e a relação com comunidades no Rio de Janeiro e museus sociais.  

O filme, dirigido pelos jornalistas Daniel Camargos e Ana Aranha, da Repórter Brasil, contou com o apoio do Pulitzer Center por meio do Rainforest Journalism Fund e mergulha nos desafios enfrentados por jornalistas que cobrem a violência contra comunidades indígenas a partir da história do assassinato de Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira em uma emboscada no Vale do Javari, no Amazonas (saiba mais).

“Em alguns momentos, os filmes eram pesados e tristes, mas a arte, os palestrantes e a interação dos alunos fizeram com que a aprendizagem se tornasse realmente significativa. Era um prazer ir para a aula. Será inesquecível tanto para mim como para os estudantes”, finaliza Giffoni, lembrando que o título da disciplina foi uma forma de homenagear o geógrafo Carlos Walter Porto Gonçalves, que morreu em setembro de 2023.

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gonçalves foi uma importante referência em debates sobre lutas contra opressões e explorações, tendo sido premiado por sua produção intelectual ligada ao meio ambiente, reforma agrária e comunidades tradicionais, especialmente ribeirinhos e seringueiros. Em 2001, escreveu o livro Amazônia, Amazônias.

Giffoni e Wanderley pretendem manter o formato da disciplina para futuros cursos, admitindo novas turmas. 

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